Guia Pedalinhos – Medicina UFMG

Este é um guia que eu e meus amigos redigimos todos os semestres para ajudar um pouco nossos calouros sobre o que os aguarda no semestre seguinte. Nele, nós falamos sobre professores, provas, faltas, atividades extraclasse, bibliografia recomendada, enfim, explicamos tudo sobre o semestre que já concluímos tentando passar informações proveitosas para as turmas seguintes.

Como há muitos leitores do blog que são vestibulandos buscando uma vaga em Medicina na UFMG, decidi publicar nosso guia que fornece uma visão mais íntima do curso. Espero que gostem 🙂

Guia Pedalinhos – 1º Período – Medicina UFMG

Guia Pedalinhos – 2º Período – Medicina UFMG

Guia Pedalinhos – 3º Período – Medicina UFMG

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O que eu fiz de certo/errado quando estudava para o ENEM e outras coisas

Alguns leitores do blog solicitaram que eu escrevesse  dicas sobre ENEM, estudos e afins. Fiz o rascunho de dois (longos) posts, porém, sinceramente, além de serem de uma leitura cansativa eles não eram muito informativos. Dessa forma, optei por criar este post que faz mais um panorama geral de meus erros/acertos e dá algumas dicas do que detalhar  todo o meu processo de preparação para o exame. Apesar de evidente, friso que as experiências abaixo são minhas percepções e que não necessariamente devem ser extrapoladas para todo e qualquer vestibulando de medicina. Não há ordem lógica, fui escrevendo à medida em que as ideias apareciam à mente.

  1. Não vale a pena estudar por livros muito aprofundados. Após ler comentários na internet, cometi o erro de seguir bibliografias que estão muito além do nível do ENEM. Por exemplo, cheguei a usar Iezzi de 11 volumes, Química, a ciência central e Princípios de química. São coleções não muito didáticas, extensas e que demandam muito tempo para serem estudadas. Uma coleção de ensino médio normal (3 volumes) + exercícios de vestibulares (há muitas listas na internet) já está de bom tamanho.
  2. Não vale a pena usar livro de geografia. Durante minha preparação, usei livro de geografia + apostila. Atualmente, percebo que perdi muito tempo o usando. Com um bom professor dessa matéria (presencial ou online, claro), uma boa apostila e uma infinidade de exercícios o retorno é muito maior em relação ao tempo investido.
  3. Estudar muitas horas por dia nem é tão importante assim. Quando eu frequentava o Projeto Medicina via vários vestibulandos falando de 12-14 horas de estudo. Não que seja mentira, mas, geralmente, eles contabilizavam no “estudo” o número de horas de aula e não apenas o tempo lendo matéria e fazendo exercícios. Não encontrei minha tabela, se eu não estiver errado minha média foi de 6 horas diárias (contando aulas – mas, claro, é uma média, uns dias estudava mais, outros menos e alguns dias não estudava). Estudar com qualidade (sem distração, com metas objetivas por dia, etc) é muito mais proveitoso do que diversas horas com pouca atenção.
  4. Tente manter uma vida social fora de assuntos de vestibular. Fiz pouco isso, mas penso que se eu tivesse saído mais vezes – principalmente com pessoas que não têm a menor relação com ENEM, que não vão falar de provas, etc – as minhas “bads” teriam sido menos frequentes (no primeiro post deste blog, por exemplo, eu estava em uma).
  5. Eu continuaria a usar o Amabis para biologia (edição antiga), caso ainda fosse vestibulando. Não encontrei livro melhor.
  6. Não perderia tempo estudando gramática propriamente dita. Um leitor com bom conhecimento das normas deve notar que cometo vários erros, afinal, nunca aprendi todos aqueles conceitos de sintaxe, diferentes tempos verbais, etc. Não me fez falta, dado que obtive boa nota na redação. Escrevo mais pelo “feeling” do que por normas, consertando erros quando os encontro e tomando cuidado para não os repetir.
  7. A melhor idade para entrar na medicina é a que você conseguir ser aprovado(a). Antes  eu tinha problemas com minha idade e pensava que ficaria isolado em um mar de gente nova no curso. Porém, não só encontrei pessoas da minha faixa etária como também fiz (e mantenho) amizade com pessoas que nem chegaram aos vinte anos. Se seu sonho é ser médico(a), idade não é um parâmetro válido para desistir dele.
  8. Afastar um pouco de redes sociais pode ser positivo. Não me refiro aqui a usar o tempo de rede social para ter mais tempo para estudar. Como é fácil de se deduzir, você passará por dias “deprês”, vai sentir vontade de desistir, vai se sentir sozinho (a)  no mundo, etc. E, claro, redes sociais podem potencializar isso, bastará você ver seus amigos já quase formando em outra área, alguns trabalhando, viajando, curtindo a vida, etc (enquanto você fica estudando muito e não tem nem certeza se vai conseguir pontuação para ser aprovado(a)) e você chegará ao fundo do poço. Evite, se possível.
  9. Vale a pena usar Anki. Continuo usando até hoje!
  10. É difícil chegar no ENEM sem  matéria acumulada. Digo isso porque nunca completei meu cronograma nesses anos de estudo, sempre faltava uma matéria ou outra (geralmente as que praticamente não caiam, que deixava sempre para o final do ano). Não se desespere, então, caso não tenha estudo tudo para o exame. Vá confiante com o que estudou e dê o seu melhor. Fiz isso e passei,  também pode dar certo para você.
  11. Prefiro horário livre do que fixo para estudar. Ao invés de colocar no cronograma, por exemplo, para estudar de 8 às 10 biologia, é preferível colocar uma meta exata: amanhã estudar o capítulo 2 de biologia. Afinal, você não sabe quanto tempo realmente vai precisar para estudar, talvez mais, talvez menos, por isso acredito que seja melhor ir pensando em uma meta mais precisa e com tempo maleável.
  12. Continuaria focando muito nos meus erros. Quando errava uma questão eu pesquisava bastante na internet até encontrar uma explicação que me fizesse entender o que estava fazendo errado. Quando os erros eram de biologia/humanas, eu colocava a resposta certa no Anki para nunca mais os cometer novamente. Quando eram de exatas, após entender a explicação e refazer as contas, eu salvava a questão em uma pasta no PC e, após um tempo, tentava refazer; meio que uma tentativa de me forçar a assimilar alguns artifícios de matemática/física/química para solucionar problemas mais chatinhos.
  13. Assistia a muitos vídeos motivacionais e…continuo assistindo.
  14. Não se importe muito com parentes/vizinhos/amigos negativos que não acreditam na sua capacidade. Ignore-os e valorize as pessoas que te apoiam, são nestas e não naquelas que você deve investir seu tempo.
  15. Eu genuinamente acredito que qualquer pessoa normal, desde que se dedique por um tempo, conserte os erros no trajeto, etc, consegue ser aprovado em medicina (não necessariamente na universidade que a pessoa sempre sonhou).
  16. Tirar alguns dias no meio do ano para descansar vale a pena. Eu cometi o erro de não me dar pelo menos uma semana de folga em julho ou agosto, achava que não poderia parar, a ideia era “nodaysoff”. Acho que teria chegado à reta final menos exausto caso tivesse tirado alguns dias de descanso.
  17. Treine muuito redação, mas não exagere. Redação é, para grande parte dos vestibulandos, a prova principal para obter pontos que ajudam a conquistar uma vaga. Invista muito nessa habilidade. Caso não faça cursinho, como meu caso, pague algum curso online para corrigir as redações que você fizer. É essencial – acredito – que uma pessoa que conheça a parte técnica do ENEM ( principalmente se foi/é corretora da prova) analise seu textos, pois ela é capaz de apontar seus erros e o que tem que fazer para melhorar. Eu fiz exatamente isso. Fazia redação, enviava para correção. O que a corretora dizia que precisava melhorar eu tentava implementar já na redação seguinte. Fiz isso até que chegou em um ponto que minhas redações estavam saindo sem muitos problemas, colocava no texto tudo o que a corretora havia me ensinado, etc. É como se eu tivesse, ao final do ano, um “molde” pronto de redação, bastava mudar os argumentos e pronto,  já saia no formato certo que os corretores do ENEM queriam! Quando a parte do exagerar, eu fui muito audacioso uma vez e tentei criar uma projeto de fazer uma redação por dia até o ENEM, resultado: fracassei miseravelmente! Não precisa de tanto, sinceramente. Começando o ano de estudos com uma redação por semana e depois, pós meio do ano, aumentando para duas por semana já está de bom tamanho.
  18. Adquira capital cultural para escrever sua redação. É interessante ir para prova com um bom conhecimento de mundo. É possível obter muita informação através de vários meios. Vou citar os que usei. Assista palestras do Karnal e pessoas mais ou menos do mesmo calibre, anote frases interessantes que ele disser que você acha que pode entrar em uma redação sua, anote as referências históricas, míticas, etc. Além de agradável, assistir essas palestras é uma boa fonte de cultura geral. Leia um ou outro livro durante o ano. Assista vídeos de resenha de livros famosos e importantes para a cultura ocidental (há vários vloggers no youtube que fazem esse tipo de coisa) e também anote as ideias, etc. Leia artigos de colunistas de destaque nos principais jornais do país.
  19. Leia redações nota 1000. Eu peguei diversas redações 1000 e as estudei. Tentava entender como a pessoa fez para argumentar, pegava os conectivos que os autores usavam e passava a empregar nos meus textos, decorava uma ou outra referência de algum filósofo/etc para também usar nas minhas redações, fazia o mesmo com as propostas de intervenção, captando ideias e as adaptando ao tema que desenvolvia.
  20. Não tenha medo de começar do básico em matérias que você é fraco(a). Eu era muito ruim em matemática, comecei do zero vendo o Matemática Zero do Nerckie e posso dizer que valeu a pena. Pois é muito comum você se achar ruim em alguma matéria, mas, quando olha racionalmente, consegue perceber que o grande problema é que você praticamente não domina os princípios básicos dela. Se necessário, comece do zero.
  21. Como afirmado por um aluno do ITA em uma entrevista com o Rafael Freitas, só não passa quem desiste.

Bom, até o momento, esse foi o brainstorm que consegui fazer. Vou deixar este post em aberto e, à medida em que eu lembrar de mais informações relevantes, completarei-o aos poucos. Caso tenha algum tema que tenha interesse e deseja ver aqui, por favor, deixe nos comentários.

A propósito, este é o último post sobre vestibular/ENEM que escrevo neste blog. Não que o assunto esteja esgotado, mas acho que as coisas mais relevantes eu já escrevi e, caso surja algo, colocarei nesta página. Mudarei o foco para assuntos relacionados à Medicina e ao curso de Medicina da UFMG.

Obrigado 🙂

Quando os Dinossauros Morrem

Minha mãe faleceu hoje, dia 11/12/2016.

Durante os anos em que me preparei para o vestibular (e também agora como estudante de medicina) acompanhei a deterioração da saúde dela. Seu quadro foi evoluindo aos poucos, com uma queda intensa nos últimos meses. Não tenho exatamente algo para falar sobre tudo isso, mas sinto necessidade de escrever. De mim, neste estado, provavelmente não sairá nada além de um rambling. Sinto muito.

Minha mãe já era diabética, hipertensa, fumante (por mais de 20 anos) e tinha lúpus eritematoso sistêmico (LES) (em um longo período de inatividade) quando foi diagnosticada com DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica). Após esse diagnóstico, recebeu alta e foi para casa e passou a usar 2L de oxigênio suplementar 18hs/dia . Depois de um tempo foi diagnosticada com Síndrome de Sjögren e passou a fazer tratamento com imunossupressores. Após isso, esteve várias vezes em UTI e também nos quartos de vários hospitais (lembro de ter passado a noite com ela na Santa Casa e aproveitei para terminar alguns exercícios de física do Ramalho). É engraçado que não existiu sequer uma vez que saí do hospital sem me sentir mais motivado a cursar medicina, a me dedicar mais aos estudos, etc. O ambiente hospitalar, para quem quer trabalhar na área, é boa fonte de motivação. “Cirurgião plantonista, comparecer ao bloco X” saindo das caixas de som do hospital causa até arrepio em quem deseja ser médico. Ano passado, na madrugada do Hospital Risoleta Neves, enquanto dormia em uma cadeira desconfortável perto do leito da minha mãe, um alarme começou a tocar muito alto e quando olhei para o corredor vi vários médicos e enfermeiros saindo de portas diversas e correndo em direção a uma área do prédio, talvez um dos momentos mais fascinantes que tive em qualquer hospital. Típico momento que se pensa assim “um dia serei eu fazendo isso”. Hoje, apesar de ser praticamente um calouro em med, com o conhecimento vago que tenho acho que era uma Onda Vermelha.

Contudo, ao mesmo tempo eu vi como o SUS é péssimo em algumas coisas (super novidade!). Dá vontade de escrever cada um dos problemas aqui, mas tomaria espaço demais e muitos são os que todo mundo já está cansado de ouvir. Grande parte dos médicos e enfermeiras que tive contato nesse tempo eram pessoas prestativas, mas os ruins que geralmente ficam na memória…jesus, nesses anos passei por vários profissionais frios, sem educação, tratando pacientes e acompanhantes de forma pouco respeitosa. Desculpem-me pelo clichê, mas é essencial, deles ao menos eu tiro como lição o tipo de profissional que eu não quero ser.

Também não sei se as vezes a equipe que está atendendo é muito preparada. A penúltima visita que fiz para minha mãe aconteceu um diálogo que me fez acreditar nisso. Basicamente, sempre que ela internava, era entregue ao hospital o último sumário de alta, que é um resumo com todos os problemas que ela tem. E claro, no da minha mãe tinha hipertensão, lúpus, síndrome de sjögren entre outros. A conversa com o médico foi mais ou menos a seguinte:

– Então, Gustavo, sua mãe parece que tem alguns problemas com os rins, sabe. E nós ainda não temos confirmação, mas achamos que talvez isso seja reflexo de um problema maior.

– Como o quê, por exemplo?

– Por exemplo, talvez uma doença como lúpus.

– NÃO ME DIGA?! (não, eu não disse isso, foi só vontade mesmo).

A princípio eu achei que ele queria dizer que o lúpus estava novamente ativo, mas não era isso, o médico nem sabia que ela tinha! Aí falei a história, disse que ela tinha sido diagnosticada aos 21 anos, também falei algumas coisas que sabia sobre o assunto para tentar mostrar que ele viajou (por questões diversas, no primeiro período fiz um trabalho sobre lúpus e outro sobre síndrome de sjögren então sabia um pouco desses temas e como eles se correlacionam).

Agora que citei esse trabalho, permitam-me falar sobre ele. Meu texto ficará pouco coerente, mas não é intenção que fique mesmo. Estou deixando a coisa fluir.

Bom, acredito que muitos que vez ou outra chegam neste blog têm interesse em estudar medicina na UFMG. No primeiro período, caso caiam na sala do Zé de CSAS, vocês vão fazer um trabalho interessante. O professor pede para que cada aluno escolha uma doença grave que o afete emocionalmente, que seja algo que pais, avós, têm/tiveram para apresentar – individualmente – por uma hora para a turma (subturma com 12 alunos). Eu escolhi essa síndrome que não é exatamente grave, mas o Zé aceitou. Gostei muito de fazer esse trabalho porque consegui entender o problema da minha mãe, o tipo de precauções que ela deveria tomar, entendi o mecanismo de ação da doença e as possíveis complicações. Caso tenham interesse, este foi o slide da minha apresentação: Síndrome de Sjögren.

Voltando ao assunto. Fico imaginando aqui quantas pessoas devem morrer em hospitais por erros médicos bobos como o desse médico que não deve ter lido o sumário da minha mãe com muita atenção.

No final do ano passado, se não me engano, li um livro do Drauzio Varella chamado Por um Fio (recomendo a leitura para todo mundo que quer med, é bem interessante) e os casos que ele narra no livro meio que me fizeram ver a morte de forma diferente. Tanto que fui muito resistente quando soube da notícia. Na verdade, após várias conversas com os diferentes médicos de plantão que estavam cuidando da minha mãe (incluindo uma veterana minha da turma 133) eu percebia que no fundo eles estavam dando pistas sobre o que iria acontecer pelo modo como usavam certas palavras, certas expressões, de fugirem de algumas perguntas com respostas pouco elucidativas. Devido a isso, nesses últimos dias eu só estava esperando vir a confirmação fatídica. E ela veio hoje, como já sabem.

Preparei-me ao máximo para suportar esse momento e consegui manter certa serenidade, mas toda vez que eu tenho que comunicar a morte da minha mãe para uma pessoa ou algum conhecido me abraça como forma de conforto eu não consigo segurar as lágrimas.

Em poucas horas será o velório e já imagino como vou me sentir ao receber cada um dos nossos parentes (família grande, 10 irmãos) e amigos.

Mas no fundo me sinto um pouco bem porque sei que ao menos morreu muito orgulhosa de mim. Vocês não imaginam a alegria dela quando viu que fui aprovado em medicina. Como toda mãe faz, saiu espalhando para todo mundo. E quando eu ia para o hospital com ela eu morria de vergonha porque ela também falava para todos que eu estudava medicina “e na UFMG ainda, passou estudando sozinho em casa” (como ela dizia). Dessa forma, com todos os pesares, fico ao menos feliz por ter sido um motivo orgulho para ela.

Descanse em paz, mãe.

 

Passei! Medicina UFMG :)

Estive um pouco ocupado depois da aprovação com algumas coisas e acabei não comentando por aqui se havia passado ou não. Este post terá essa função. Fica aqui registrado, portanto, que enfim consegui ser aprovado :D.

Nos próximos posts farei outros comentários, incluindo como a minha posição variou ao longo do SISU e também a do corte.

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Última noite de vestibulando?

Se tudo der certo, esta será a última noite da minha vida como vestibulando de medicina. Estou próximo de um divisor de águas…que sensação estranha. Minha colocação na última parcial do SISU me deixou em uma situação confortável (7/37), mesmo assim ainda tenho medo de não ser aprovado, de não ver o meu nome na lista amanhã…

Que Apollo, Aesculapius, Hygeia e Panacea me ajudem a despertar amanhã como um calouro de medicina.

Boa noite.

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Templo de Aesculapius (mais bonito em latim), Jardins da Vila Borghese, Roma. Picture by Ed Uthman.

Diálogo da opinião sobre a vida dos outros

-Gustavo, advinha o que o senhor X me falou de você.

-Não sei, o quê?

-Você não vai falar que eu contei não, né?

– Anda.

– Ele falou que você fica o dia inteiro no computador, que não faz nada.

– Uso o computador para estudar…

– Foi ele que falou, uai. Ele acha que você tem problema porque fica aí só sentando. Falou que você deveria sair, que ninguém aprende nada no computador não.

– Ah, deixa ele pra lá.

 

 


Ignorar é a melhor opção. Porém, ainda carrego uma dúvida fundamental. Como uma pessoa que mantém apenas ligeiras interações sociais comigo (como cumprimentos de “bom dia”) tem uma visão tão negativa de mim? Acho que vizinhos deveriam ser estudados em laboratórios, :D.

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Síndrome do Hobbit de volta ao Condado (Spoiler)

***********Contém revelações sobre o enredo de O Senhor dos Aneis************

 

É uma síndrome que inventei para um sentimento que brotou ontem em mim. Quem assistiu ao terceiro filme de o Senhor dos Aneis, O Retorno do Rei, vai se lembrar de uma das últimas cenas com os hobbits ainda juntos. Depois de salvarem a Terra Média de Sauron e seu exército, eles voltam para o Condado e são recebidos friamente pelos seus pares, que não sabiam nada sobre a guerra do anel e de toda a provação que eles passaram. Mesmo depois do feito incrível deles, todas emoções acumuladas pelo que viveram e sentiram, os quatro hobbits se sentiram meio vazios. Sentime-me dessa forma. Percebendo que estava em vias de ser aprovado, tendo noção do que passei, do tanto que estudei e me dediquei, eu estava fervendo por dentro. Enquanto isso, as pessoas ao meu redor pareciam tão alheias a isso, distantes e frias.

 

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Considerações sobre minha nota, meus sentimentos e sobre o ENEM

Como afirmei neste post , fiquei bastante surpreso com minhas notas. Quando vi 980 na redação fiquei boquiaberto, eu realmente acreditei que a maior nota possível para o texto que fiz fosse 940. Minha média também foi uma surpresa! Minha namorada, que é uma pessoa muito otimista, previa que minha média ficaria em 787 (não sei como ela chegou a esse número :D). Juro que nunca imaginei sequer que consigueria uma nota acima dos 800! Nunca em todos estes anos prestando o ENEM!. Por isso, sair de uma média de 758,68 para uma de 803,16 neste ano causou-me um pouco de espanto.

De toda forma, o que achei mais interessante foi a mistura de sentimentos que tive no dia do resultado. No começo fiquei feliz, como era de se esperar, mas depois veio o medo. Em minha cabeça as perguntas não paravam de surgir: Será que a prova não estava mais fácil este ano e o corte aumentaria? Não estariam as redações com média maior este ano também aumentando o corte? Será que a UFMG com SISU só no primeiro semestre não iria atrapalhar um pouco com as notas? Enfim, uma sensação estranha de incertezas que, pelo visto, é comum em vestibulandos. Afinal, vi em um grupo de estudos uma pessoa com média de 821 com as mesmas dúvidas! Depois de ter me convencido que o corte não aumentaria tanto veio a depressão.

Sim, depressão. Senti-me vazio, meio oco por dentro. Não é difícil entender, imagine que passei os últimos anos da minha vida dedicando-me a passar em medicina na UFMG. O ENEM dominava a minha mente, ficava pensando nele todos os dias, estudando, deixando de fazer algumas coisas devido ao Unlikely_Alliancevestibular, revisando infinitas vezes o mesmo conteúdo e, de repente, tenho em mãos uma nota que praticamente me garante a aprovação (em cotas). E agora, o que faço? Era a pergunta que não saia da minha cabeça. É como se fosse uma versão macabra de RoadRunner onde o Coiote enfim captura o Papaléguas, porém, quando enfim tem em mãos o que queria, passa a se perguntar: o que eu ia fazer com isso mesmo? Qual o sentido disso tudo? Depois que me lembrei de um vídeo do Rafael consegui sair dessa deprê. De maneira simples, nutri esse sonho durantes anos, ele ficou grande, vistoso e ocupava muito espaço na minha vida. E é claro que se eu consigo alcançá-lo ele desaparece e deixa um vácuo enorme e que precisa ser preenchido! E é exatamente aí que o vídeo do Rafael cai como uma luva. Depois que se alcança um sonho é necessário criar novos, preciso de novas metas, algo novo para correr atrás!

Outro ponto que gostaria de mencionar é o meu atual sentimento em relação ao ENEM. Agora que não precisarei sentar outra vez para resolver essa prova, sinto certa aversão pelo exame. Sinto-me feliz, sinceramente, por não ter que fazer aquela prova outra vez. Não que eu tenha problemas com o conteúdo, pois até gosto da maneira como as questões são construídas e as matérias abordadas. Acredito que esse sentimento seja causado pelo modo como o ENEM é calculado, ou seja, o TRI. Vi tantas pessoas com número de acertos próximos aos meus e redação acima de 900 recebendo notas muito mais baixas. Isso me causou um desconforto enorme, foi a primeira vez que tive a real ciência do quanto essa forma de acesso ao ensino superior é injusta. O problema é nítido para qualquer pessoa, há mais candidatos do que vagas e um tipo de seleção sempre será necessária. Porém, como selecionar da forma mais justa possível? Claro que há doutores em Educação e diversos pensadores trabalhando nesse tema e minha opinião é praticamente irrelevante, de toda maneira, com a visão de um vestibulando, pensei em duas alternativas. A primeira seria continuar usando questões ponderadas, porém, eliminar o “fator chute” do TRI, assim as notas continuariam com suas casas decimais, o que evitaria empates excessivos, e não veríamos mais tantos absurdos em relação a media quando comparada ao número de acertos. Uma segunda maneira seria ampliar o vestibular, fazer algo mais parecido com os EUA. Por exemplo, o ENEM valeria apenas 25% da nota final, entrevistas somariam outros 25%, notas na escola 25% e, por fim, cartas de recomendação 25%. Porém, devido ao custo que geraria, esta opção é praticamente inviável.

Para finalizar, apesar de estar inicialmente fora do objetivo deste post, quero justificar uma opção minha. Provavelmente, da segunda chamada para frente, tenho condições de ser aprovado na ampla concorrência. Talvez ser aprovado em ampla seja algo bom, afinal, eu não ficaria com o estigma de ser um “cotista”. Há ainda muito preconceito com esse grupo, até mesmo os cotistas tem vergonha disso. Tanto é verdade que é comum de se ouvir alguns deles dizendo o seguinte: “passei em cotas, mas minha nota dava para ampla”. Atualmente, penso que é uma bobeira esse sentimento, não vejo demérito algum em usar cotas. Por que cargas d’água então eu deixaria de colocar em cotas? Apenas para inflar meu ego? Quanta bobeira! Além disso, carrego a convicção que pôr minha nota nessa modalidade é o comportamento mais moral e justo que eu possa assumir. Durante todos esses anos sempre acreditei que seria aprovado graças às cotas, sempre me vi dependente delas. Então, por que agora quando talvez eu tenha chance de passar em ampla eu deveria deixar as cotas de lado? E não é só isso, afinal, conheço pessoas de ampla que estão há tanto tempo na batalha quanto eu. Será que colocando minha nota em um lugar que nunca pensei em colocar eu não estaria atrapalhando o sonho de outras pessoas que só podem concorrer em uma modalidade?

É isso. Até a próxima.

O aplicativo Quero Minha Nota acertou minha média?

Eu havia feito este post onde estimei minha nota usando a menor margem do aplicativo. Agora que sei minha nota da redação, 980, este mesmo cálculo daria 793,8, ou seja, 9,36 pontos abaixo da minha média.

Usando a média exata e a nova nota da redação resulta em: 818,8, ou seja, 15,64 pontos acima da minha média.

Respondendo à pergunta do título: não, o QMN errou minha pontuação. Porém, pensando apenas na média, essas notas são bem razoáveis, o desvio é relativamente pequeno.

Vamos analisar agora as médias por área, veja a imagem abaixo na qual no topo estão minhas notas do ENEM e abaixo as que o aplicativo estimou.

nota-blog

Linguagens teve uma aproximação muito boa, a diferença da minha média real é de 5,5 pontos apenas.

Matemática também foi bem próxima, com uma diferença de 8,4 pontos a menos.

Porém, a diferença foi muito grande em Natureza, minha média foi 47,3 pontos menor do que a do aplicativo. Não só isso, a nota em natureza não está sequer dentro do intervalo estimado.

Humanas, por fim, também apresentou grande diferença. Minha média ficou 44,8 pontos menor e também fora do intervalo estimado.

Como é possível notar, determinar se o aplicativo funciona ou não apenas analisando a minha experiência é infrutífero, dado que as algumas aproximações foram boas e outras distantes da realidade. De toda forma, acho que estimar o resultado pelo QMN – novamente, pensando apenas na minha experiência – uma boa maneira para suportamos os 2 meses de angústia até a divulgação da nota.

 

 

 

 

SISU 2014 e 2015, alguns dados

**** Eu estava preparando este post antes da UFMG alterar o modo de entrada pelo SISU. Devido a isso, ele acabou ficando nos meus rascunhos e pensei até em deletá-lo. Porém, decidi publicá-lo hoje, do jeito que está, pois nele há dados que talvez possam ser úteis para alguém. ****

 

Uma das coisas que gosto de fazer durante o SISU é anotar a evolução das notas no decorrer dos dias (faço isso usando o Dropbox, pois é mais fácil assim, basta dar print e pronto) para depois compará-las e tentar entender melhor as tendências gerais das notas. Nessa perspectiva, trouxe os dados que obtive no SISU de 2014 e no de 2015 que talvez possam ser úteis para vocês.

Uma análise simples dos gráficos abaixo prova o que já é intuitivo para a maioria de nós, as notas de corte crescem do primeiro para o segundo dia e tendem a estabilizar ou diminuir nos seguintes. E claro, o corte cai bastante em relação ao último chamado da lista de espera.  Ao menos para cotas, de onde obtive meus dados.

Já vi muita gente desesperada tirando nota de uma universidade que tinha vontade de estudar para colocar em outra só pelo medo da alta nota de corte. O que talvez seja um erro, veja por exemplo o SISU 2014 primeiro semestre, nele a nota do último dia para o corte final variou em 19,08 pontos!.

Um fato curioso é a distância da minha nota para a última de corte no segundo semestre deste ano (2015), a diferença é de exatos 10 pontos, até as casas decimais coincidiram! Mais 10 pontos de média e teríamos empatado. No entanto, há um pequeno problema e gostaria de discuti-lo um pouco antes de avançarmos para os gráficos. Essa nota, se não me enganei, é da 8ª chamada, que foi publicada no dia 31/08/15. Nesse semestre as aulas começaram no dia 24/08 e no dia 25/08 aconteceu a recepção de calouros. Como fica evidente, quem passou no dia 31/08 além de perder alguns dias de aula ainda perdeu algumas palestras interessantes e a chance de começar a enturmar com o pessoal. Big deal? Não, claro que não. Eu não teria o menor problema em entrar, a qualquer momento razoável, em medicina na UFMG. Mas não posso negar que uma das coisas que tenho interesse em participar é em tal recepção, onde nos é apresentando o curso, e outra é de não ter aquele sentimento de “fora do ninho” quando você é o “novato” em algum lugar onde todos já se conhecem mais ou menos e algumas amizades já estão se formando. Enfim, não é nada que atrapalhe muito, mas senti a necessidade de citar essa questão.

Abaixo estão os gráficos por semestre, um deles não tem todos os dias, outro deles tem também a nota da primeira chamada. Clique nas imagens para ampliar.

 

1
Primeiro semestre 2014
2
Segundo semestre 2014
3
Primeiro semestre 2015
4
Segundo semestre 2015

Assim que for possível também divulgarei os dados do SISU 2016. Até mais.